Christiane Martel escolhida para representar a Agnès.


“A flor tinha desabrochado, revelando uma mulher atraente, de traços finos e elegantes, olhar doce e sorriso delicado. Não era de uma beleza espampanante, daquelas em que os homens viravam a cabeça quando viam fêmea opulenta entrar no café e a contemplavam com gula, salivando grotescamente, o desejo em escaldante erupção. Os seus atrativos eram antes outros, mais discretos e graciosos, tornava-se necessário fixar-lhe o rosto para lhe descobrir os sedutores olhos hipnóticos, verdes e penetrantes, a que se juntavam as linhas perfeitas e os lábios carnudos. Tratava-se de uma daquelas mulheres que não despertavam uma imediata e animalesca volúpia sexual, mas uma terna e incurável paixão platónica.”

José Rodrigues dos Santos, in A Filha do Capitão.

No meu imaginário a Christiane Martel encaixa perfeitamente na personagem Agnès do romance, A Filha do Capitão

“Raro em Portugal aquele tipo de loiras tão clarinhas.”


“Uma nova aluna entrou na sala e o professor observou-a de relance, distraidamente. Hesitou, retendo a atenção na recém-chegada. Tinha um cabelo loiro aos canudos, brilhante e vivo, e um corpo voluptuoso. Tomás achou-a uma deusa, embora de um género diferente de Ísis. Ela era mais do género das divindades nórdicas. Uma espécie de cortesã para animar os festins de Tor e Ódin. A loira tinha olhos de um azul-turqueza cristalino, a pele de um branco lácteo e irradiava uma beleza espampanante, daquelas particularmente apreciadas pelos homens e desprezadas pelas mulheres. O macio pullover azul que trazia e os cabelos loiros que lhe tombavam enroladamente nos ombros, à Nicole Kidman, e insinuava uns seios atrevidos e generosos, com um volume que a cintura estreita mais acentuava.”

José Rodrigues dos Santos, O Codex 632


Meninas ao poder

No romance Guinevere, são as mulheres que são as eleitas para governar. São as mulheres as deusas supremas; guerreiras, amantes e musas. Mas longe da lenda, está a realidade do mundo em desenvolvimento (exemplo, no Quénia) que ignora as mulheres; milhões de raparigas adolescentes que abandonam a escola, os estudos e que aos 5 anos são prometidas em casamento, para casar aos 13 anos de idade.

O Banco Mundial, a ONU e Organizações sem fins lucrativos estão a procurar formas de tornar as mulheres jovens mais valiosas para as suas famílias.

por Manuel Rodrigues

“Perdido em sonhos”

“Artur mal conseguia respirar. Nunca vira nada de tão belo como o corpo nu de Guinevere. À meia-luz, o seu corpo era branco cintilando como o fogo pálido da lua à meia-noite.”

Rosalind Miles / Guinevere: a rainha do país de verão

Na fotografia é a Cláudia Schiffer, quem imagino representar a Guinevere

“mais feiticeira do que freira”

“Lembrava-se agora, do corpo alto e magro, demasiado desenvolvido para a idade, ancas estreitas, coxas longas que fariam um homem esperar e seios pontiagudos que distraiam um homem apressado. E os olhos, e aquele olhar! Olhos em que poderia afogar, lagos negros de meia-noite, encanto puro.”

Guinevere: a rainha do país de verão / Rosalind Miles

Audrey Tautou é a personagem que imagino a fazer de Morgana.

“mocinha avelhentada”

“Mas, enquanto bebia, avidamente, viu no espelho do guarda-fato uma silhueta quase tétrica, a sua. Esgadelhada, da luta com o travesseiro, caíam-lhe os cabelos, sem graça, numa líquida massa negra, desfeita em torno do rostozinho estreito, devorando-o, aumentando-lhe os olhos de gazela, enormes e assustados, esgazeados. As pernas altas de bailarina, fortes e fuseladas, desenhavam-se-lhe, trigueiras, reais, só elas reais, sob a camisa de dormir, em contraste com o busto frágil, ingrato: parecia, sem tirar nem pôr, uma feiticeira, ali estampada, tremulamente, naquele vidro a que o tempo, despolindo-o, arremessara pequenas manchas fuscas, como insultos de pássaros ou morcegos. Na moldura provinciana e calma de florinhas mimosas, que o guarda-fato lhe formava, aquela mocinha louca, apavorada de si, aquela mocinha avelhentada e sem futuro, era o que dela restava, o volume macabro de um feixe de gritos…”

Urbano Tavares Rodrigues / Bastardos do Sol

Anne Hathaway é a personagem que eu imagino a fazer de Irisalva.

“… uma mulher encantadora em toda a acepção europeia da palavra”

“Os seus cabelos reluzentes, regularmente divididos ao meio, emolduravam os contornos harmoniosos das suas faces delicadas e alvas, cintilantes de lustro e de frescor. As suas sobrancelhas de ébano têm a forma e o poder do arco de Kama, deus do amor, e sob os longos cílios sedosos, na pupila negra dos seus grandes olhos límpidos, navegam como nos lagos sagrados dos Himalaias os reflexos mais puros da luz celeste. finos, iguais e brancos, os seus dentes resplandecem entre os seus lábios sorridentes, como gotas de orvalho no seio entreaberto de uma flor de romã. As suas orelhas pequenas de curvas simétricas, as suas mãos rosadas, os seus pequenos pés, arqueados e tenros como brotos do lótus, brilham com o luzir das mais belas pérolas de Ceilão, dos mais belos diamantes de Goloconda. A sua cintura delgada e flexível, que basta uma mão para abraçar, realça a elegante curva dos seus arredondados rins e a riqueza do seu busto onde a juventude em flor guarda os seus mais perfeitos tesouros.”

A Volta ao Mundo em 80 Dias / Júlio Verne

Foto: Kanishtha Dhankhar venceu o concurso Miss Índia 2011 e conquistou o direito de representar o país no Miss Mundo 2011

“Não eras tu a emanação e reflexo do céu?”


“Essa imagem é pura e sorri; orna-lhe a fronte a coroa das virgens; sobe-lhe ao rosto a vermelhidão do pudor; o amículo alvíssimo da inocência, flutuando-lhe em volta dos membros, esconde-lhe as formas divinas, fazendo-as, porventura, suspeitar menos belas que a realidade. É assim que eu te vejo em meus sonhos de noites atroz saudade: mas em sonhos ou desenhada no vapor do crepúsculo, tu não és para mim mais do que uma imagem celestial; uma recordação indecifrável; um consolo e ao mesmo tempo um martírio.”

Alexandre Herculano / Euríco, o Presbítero

Fanny-François

Juliana Knust

“Alta aprumada, graciosa, com feições rigorosamente delineadas, um comprido nariz aquilino, olhos castanhos bem separados um do outro, testa alta e uma reluzente cabeleira negra que dali partia em recorte de coração.”

Richard North Patterson / Em legítima defesa

“flutuar acima da copa das árvores”

Gwendoline estava parada à porta a observá-lo. Peter voltou a sentir um aperto no estômago. Era uma sensação fria, uma sensação de queda. Também lhe pareceu que os joelhos enfraqueciam. (…) Com os seus 21 anos, Peter ainda nunca vira nada tão, bem…, tão perfeito, tão delicioso, tão brilhante, tão belo. Não havia palavra que exprimisse suficientemente bem aquela visão. Os olhos verdes de Gwendoline estavam presos aos seus. (…) Ela pousou a mão suave e fria na dele, enquanto iam a andar. (…) Aproximaram-se ainda mais e, ao som dos bichos a correrem e de água a gotejar nas poças, beijaram-se. Peter percebeu que, durante tantos anos de uma infância feliz, mesmo nos melhores momentos, (…) nunca fizera nada melhor do que aquilo, nada tão emocionante ou tão estranho como beijar Gwendoline no túnel do comboio.”

extraído do romance O sonhador, de Ian McEwan.

 

 

 

 

 

 

Marília Moreno

“Despindo-a com o olhar.”


“A caminhar em direcção à mesa com uma pasta de executiva negra na mão vinha uma rapariga de cabelo curto e tão loiro que parecia palha. Tinha uns grandes olhos azuis, luminosos e expressivos, e uns lábios suculentos e apetitosos como morangos. [...] o corpo dela se desenhava curvilíneo como uma viola, com seios pequenos mas arrebitados.”

extraído do romance Fúria Divina de José Rodrigues dos Santos

 

 

 

Meg Ryan