“foram dois judeus portugueses que iniciaram o conflito do Médio Oriente?”

Dona Graça Mendes Nassi

Gracia Mendes Nasi (Graça ou Gracia é o Português arcaico e espanhol para o hebraico Hannah, também conhecida pelo seu nome cristianizado Beatriz de Luna Miques, 1510-1569) foi uma das mais nobres mulheres judias da Europa renascentista. Ela casou-se com o banqueiro internacional e da eminente dinastia de financiamento da família Mendes, e foi a tia de Joseph Nasi, que se tornou uma figura proeminente na política do Império Otomano.

Poucas figuras na história judaica, especialmente na Idade Média, desempenharam um papel tão inspirador e benéfico para os seus compatriotas judeus, como a nobre judia Senhora Dona Graça.

As lendas que teceram em torno desta extraordinária personalidade são inumeráveis, mas os fatos históricos comprovam que ela era de fato uma personalidade marcante. Milhares de marranos e outros judeus perseguidos a chamavam por outro nome, “Nosso Anjo”.

Dona Graça nasceu em Portugal no início do século XVI, na família nobre dos Benveniste, que haviam chegado da Espanha após a fuga da Inquisição. Ela mesma era de família rica e havia se casado com o ainda mais rico Francisco Mendes-Nassi, membro de uma das maiores empresas de comércio internacional e serviços bancários em todo o mundo. Quando o marido morreu, ainda jovem, Dona Graça decidiu sair de Portugal, juntamente com seu único filho Reina e vários outros parentes. Foi para Portugal, começando a sentir o braço forte da Inquisição, que tornou a vida insuportável para os marranos, as pessoas que, como Dona Graça, viviam secretamente como bons judeus, mas haviam adotado a Igreja Católica para salvar manter as aparências, na esperança de uma chance de escapar.

Embora Dona Graça teve que deixar uma parte considerável de sua enorme riqueza para trás, ela fugiu de Portugal e estabeleceu-se em Antuérpia(segunda cidade mais populosa da Bélgica), onde seu cunhado, Diogo era o chefe da sucursal da empresa Mendez-Nassi, que tinha conexões com a maioria dos tribunais europeus .

Muitos outros  marranos foram chegando à capital da Flandres(Região entre França Bégica e Holanda) para construir novas casas, mas os braços poderosos da igreja começaram a ser sentidos alí, e os marranos descobriram que tinham que ser ainda mais cuidadosos afim de se aparecerem como bons cristãos, em vez perder a liberdade que tinha procurado quando fugiram da Espanha e de Portugal.

Dona Graça (ou Beatriz de Lune, como ela era conhecida por seu nome Marrano não-judeu), era uma mulher de extraordinária beleza, cultura e riqueza. Ela era muito respeitada pelos nobres e influentes do mais alto escalão na França, Flandres e outros países com os quais os estabelecimentos Mendez negociavam. Mas, sendo uma boa judia, ela odiava a cada momento que ela tinha de esconder seus verdadeiros sentimentos, e ela se sentia muito desconfortável em seu disfarce.

Ela começou a fazer planos para ir a Antuérpia(Bégica) para um país livre, especialmente após a morte de seu cunhado. Suspeitando que ela planejava sair com toda sua riqueza. O imperador Carlos V tentou tomar sua fortuna. Mas Dona Graça teve sucesso em deixar a região para a Antuérpia, em 1549, com a filha, e a sua riqueza.

Juntos, eles viajaram para Veneza, de onde muitos navios partiam para terras distantes, onde os judeus não precisa ter medo de viver abertamente de acordo com sua religião. Assim como seu sobrinho, o famoso D. José Nassi, que já havia encontrado um refúgio na Turquia e se tornou um dos mais poderosos homens da Europa, como ministro do Sultão, ela pretendia ir a Constantinopla. Mas ela tinha que esperar alguns anos, ansiosa antes que ela pudesse viver em liberdade e novamente ter posse de sua enorme riqueza.

O rei da França, uma ferramenta de vontade da igreja, estava muito irado com ela por ter ido para Antuérpia, e mais ainda por ela tirar o máximo proveito de sua riqueza antes que ele pudesse encontrá-la. Na sua instigação, e por causa dos comentários descuidados de sua própria relação, os governadores de Veneza colocaram ela e sua família na prisão, e confiscaram sua enorme riqueza antes que ela pudesse embarcar para a Turquia.

Mas então Don José Nassi usou sua influência com o sultão turco que estava muito feliz por conseguir uma desculpa para começar a problemas com os concorrentes comerciantes venezianos. Seu governo enviou um emissário especial para Veneza com o pedido de liberação da mulher marrana e sua riqueza. Mas levou dois anos de negociações e ameaças de guerra real, até que o mesmo fosse efetuado. Dona Graça foi liverta. Ela e sua filha residiram temporariamente em Ferrara, onde retornou abertamente a sua religião judaica.

Foi em Ferrara que ela publicou a primeira Biblia em Ladino(Português e Espanhol Arcaico compreendido pelos Judeus da Península Ibérica), a famosa Bíblia de Ferrara.

Até 1552, Dona Graça se estabeleceu em Constantinopla, onde formou um centro de todo o mundo para ajudar os judeus marranos no sofrimento. Sua fortuna foi utilizada não só para as empresas, mas para comprar os favores dos príncipes, abrindo muitas portas para os perseguidos.

Em 1556, o Papa condenou um grupo de marranos que voltou ao judaísmo em Portugal até à morte pelo fogo. Em resposta, Dona Gracia organizou um embargo comercial no porto de Ancona, nos Estados Pontifícios.

Ela promoveu a cultura judaica, e poetas escreveram muitas poesias contando suas realizações, como patrona e ajudante de judeus naqueles dias sombrios. Ela construiu sinagogas, sedes de Yeshivoth(Seminários) e bibliotecas, e apoiava acadêmicos e estudantes da Torá. Ela ajudou a reassentar centenas de marranos, para lhes permitam voltar à sua fé judaica.

Em 1558 ela arrendou Tiberíades, na Terra Santa, das mãos do sultão Suleiman, pagando uma taxa anual de 1000 ducados e, em 1561, Joseph Nasi obteu a autoridade sobre Tiberias e Safed, ajudando no desenvolvimento de grandes centros de novos assentamentos judaicos naquela região.

Dona Graça Nasi faleceu próximo a Istambul(Constantinopla).

Gracia Nasi morreu perto de Istambul.

Thomas Young (1773-1829) Tentou decifrar a antiga escrita egípcia.

“A primeira brecha no mistério dos hieróglifos foi aberta por um prodigioso inglês chamado Thomas Young, um homem que aos catorze anos, já tinha estudado grego, latim, italiano, hebraico, caldeu, siríaco, persa, árabe, etíope, turco e…Young levou em 1814, uma cópia das três inscrições da pedra da Roseta. Põs-se a estudá-la…”

José Rodrigues dos Santos, em O Codez 632

Alessandro Baricco

Alessandro Baricco nasceu em Turim, em 1958, e a sua estreia na literatura deu-se aos 33 anos com o romance Castelos de Raiva.
O seu primeiro best seller internacional, Seda (Dom Quixote, 2007) tem sido traduzido para várias línguas e os seis romances que escreveu têm ganho inúmeros prémios literários, incluindo o Prix Médicis Étrangér, em França.
Sucesso de crítica e público, a sua obra é apelidada de «pós-moderna», expressão com múltiplas interpretações e que é, talvez, pequena para um autor que já marcou um espaço de destaque no universo da literatura mundial. Talvez por procurar uma intensidade na sua relação com os leitores, Baricco é hoje em dia um dos autores preferidos pelas camadas mais jovens.
A criação literária de Baricco é bastante diversificada, abrangendo peças de teatro, ensaios, colectâneas de artigos, entre outros. É ainda autor dos romances Oceano Mar, City, Sem Sangue (Dom Quixote, 2003) e de Esta História (Dom Quixote, 2008).

Fonte: Wook

Alexandre Herculano: o pai do romance histórico em Portugal

Nascido em 28 de Março de 1810, em Lisboa, numa modesta família de origem popular, a mãe, Maria do Carmo de São Boaventura, filha e neta de pedreiros da Casa real; o pai, Teodoro Cândido de Araújo, funcionário da Junta dos Juros (que se chamou mais tarde «do Crédito Público»). Na sua infância e adolescência não pode ter deixado de ser profundamente marcado pelos dramáticos acontecimentos da sua época: as invasões francesas, o domínio inglês e o influxo das ideias liberais, vindas sobretudo da França, que conduziram à Revolução de 1820. Alexandre Herculano até aos 15 anos estuda Humanidades no colégio dos  Padres Oratorianos então instalados no Convento das Necessidades em Lisboa, onde recebeu uma formação de índole essencialmente clássica, mas aberta às novas ideias científicas. Impedido de prosseguir estudos universitários (o pai cegou em 1827, ficando impossibilitado de prover ao sustento da família) ficou disponível para adquirir uma sólida formação literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão, línguas que foram decisivas para a sua obra literária.

Entrou para a Academia da Marinha, mas parece que somente para tirar o seu primeiro ano de matemáticas, exigido para o  curso prático de Comércio, a qual preparava os seus alunos para obterem empregos na administração naval, nos escritórios comerciais, na armação de navios. Quanto às funções de tabelião e de oficial de Arquivo, exigiam o curso de Diplomática (Paleografia) e de Línguas na Torre do Tombo, e nela se matriculou o jovem Herculano com 20 anos de idade.

Desde muito jovem que a sua vocação para as letras se manifesta: lê e traduz escritores românticos estrangeiros, como Schiller, Klopstock, Gothe, ou Chateaubriand, escreve poesia, conhece Castilho e frequenta os salões da Marquesa de Alorna.

Em 1831, depois do envolvimento na conspiração de 21 de Agosto contra o regime absolutista de D. Miguel, exila-se primeiro em Inglaterra e depois em França. Aqui, e mais concretamente na biblioteca de Rennes, Herculano dedica-se ao estudo e inicia-se em Thierry, Guizot, Victor Hugo e Lamennais, autores que influenciarão profundamente a sua obra.

Em 1832, chega à ilha Terceira, nos Açores, integrado na expedição liberal liderada por D. Pedro e responsável pelo cerco do Porto. Nesta cidade, e depois da vitória liberal, é nomeado, em 1833, segundo bibliotecário da Biblioteca Pública e procede à sua organização.

Colabora no Repositório Literário (1834-1835) com vários artigos, dos quais se destacam dois que podem ser vistos como uma primeira teorização portuguesa do Romantismo. O primeiro, “Qual é o estado da nossa literatura? Qual o trilho que ela hoje deve seguir?”, apresenta um diagnóstico da literatura portuguesa e avança uma solução para o seu estado de decadência: o conhecimento das literaturas estrangeiras, principalmente da alemã, uma das primeiras em que o Romantismo se implantou. No outro texto, “Poesia – Imitação – Belo – Unidade”, Herculano sublinha a necessidade de a literatura portuguesa se voltar para as suas origens e traduz uma consciência nacional e moral que limita a visão da estética romântica europeia, condenando a “imoralidade” e a “irreligião” que, em sua opinião, Byron representava. Esta consciência nacional e moral está presente desde o início da sua poesia, através de um paralelismo estabelecido entre religião e pátria, espécie de profissão de fé do poeta romântico, que Herculano integrou numa visão liberal da sociedade, visível, por exemplo, em “A Semana Santa” (1829).

Em 1836, vem a público a primeira série de A Voz do Profeta (2ª série, 1837), folheto de carácter panfletário contra a Revolução de Setembro, escrito no estilo grandiloquente de Paroles d’un Croyant de Lamennais. No ano seguinte, funda e dirige O Panorama, revista literária responsável pela divulgação da estética romântica, na qual Herculano publica estudos eruditos e as suas primeiras narrativas históricas.

Em 1838, publica A Harpa do Crente, colecção das poesias mais importantes, reeditada em 1850 com traduções/versões de Béranger (“O Canto do Cossaco”), Bürger (“O Caçador Feroz”, “Leonor”), Delavigne (“O Cão do Louvre”),  Lamartine (“A Costureira e o Pintassilgo Morto”) e uma balada fantasmagórica ao gosto inglês (“A Noiva do Sepulcro”). As poesias desta colectânea apresentam reflexões sobre a morte, Deus, a liberdade, o contraste entre o inexorável fluir da vida humana e a permanência do infinito. Normalmente, estas meditações têm por testemunha uma paisagem, que impõe o sentimento da solidão e da infinitude, e traduz uma marcada oposição entre a cidade e o campo (por exemplo, “A Arrábida”). Está também presente um conjunto de poemas que se referem à guerra civil e ao exílio, testemunhos poéticos da instauração do liberalismo e da saudade do desterrado. Herculano tenta também dar voz à contemporaneidade através da poesia, à semelhança de Victor Hugo, atribuindo-lhe uma função pública, doutrinária e intervencionista e tratando temas de interesse político, social e religioso (“A Semana Santa”, “A Cruz Mutilada”; “O Mosteiro Deserto”; “A Vitória e a Piedade”, por exemplo). A nível formal, a poesia de Herculano apresenta uma retórica solene, com insistência num vocabulário evocativo do “belo horrível”, apocalíptico e sepulcral, longos eufemismos e alguns recursos clássicos como o hipérbato. A sua imaginação manifesta-se em paisagens marcadas por tempestades ou ruínas e na sugestão dos mistérios da religião e da morte. Estes traços predominantes, com especial relevo para as imagens funéreas de efeito fácil e sem grande conteúdo conceptual, estarão na base do Ultra-Romantismo, e serão também postos em prática nas narrativas históricas, especialmente em Eurico, o Presbítero.

Em 1839, é nomeado por D. Fernando bibliotecário-mor das Reais Bibliotecas das Necessidades e da Ajuda. Nesta altura, entrega-se a um sistemático trabalho de pesquisa, influenciado pelos historiadores franceses Thierry e Guizot, de que resulta a publicação, em 1842, na Revista Universal Lisbonense, das “Cartas sobre a História de Portugal”. Estas constituem o ponto de partida para a História de Portugal, cujo primeiro volume sai em 1846 (os três seguintes em 1847, 1849 e 1853) e origina uma acesa polémica com o clero porque nele é posto em causa o “milagre de Ourique”; os textos desta polémica estão reunidos nos opúsculos Eu e o Clero Solemnia Verba, publicados em 1850. É encarregado pela Academia Real das Ciências de recolher documentos antigos para a colectânea Portugaliae Monumenta Historica e, por isso, percorre várias regiões do país. Dessas viagens nasceCenas de um Ano da Minha Vida e Apontamentos de Viagem (1853-1854). O contacto directo com a realidade nacional reforça a sua convicção de que o país necessitava de reformas a vários níveis: educativo, administrativo e económico.

Em termos políticos, Herculano identifica-se com a ala esquerda do Partido Cartista. É eleito deputado pelo Porto em 1840, mas, após ter apresentado um plano de ensino popular que não chega a ser posto em prática, desilude-se com a actividade parlamentar e abandona o cargo em 1841. Adere, então, à moderada Constituição de 1838, desaprova a restauração da Carta por Costa Cabral e dedica-se à literatura e à pesquisa. Mais tarde, depois do golpe da Regeneração, o escritor abandona a neutralidade política e colabora na formação do novo governo. No entanto, acaba por se opor ao ministério de Rodrigo da Fonseca Magalhães e Fontes Pereira de Melo. Funda os jornais O País (1851) e O Português (1853), onde põe em prática uma intensa actividade polémica contra o progresso meramente material preconizado pelo referido ministério. Entre 1854 e 1859, publica os três volumes deHistória da Origem e do Estabelecimento da Inquisição em Portugal. É um dos fundadores do Partido Progressista Histórico, em 1856. No ano seguinte, ataca vigorosamente a Concordata com a Santa Sé. Participa na redacção do primeiro Código Civil Português (1860-1865), tendo proposto a introdução do casamento civil a par do religioso, o que originou uma nova polémica com o clero, que se pode ler no volume Estudos sobre o Casamento Civil (1866), logo colocado no Index romano. Desiludido com a vida política, retira-se para uma quinta em Vale de Lobos, arredores de Santarém, em 1867, comprada com o dinheiro ganho com a publicação dos seus livros. Aí dedica-se à vida agrícola e à produção de azeite, juntamente com D. Mariana Hermínia Meira, namorada da juventude, com quem casara em 1866, e que esperara pela realização da sua carreira literária. Neste seu exílio voluntário, Herculano continua a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, publica o primeiro volume dosOpúsculos (1872), intervém em polémicas, como a nascida da proibição das Conferências do Casino (1871) e a respeitante à emigração (1874), reúne os materiais para o quinto volume da História de Portugal e mantém uma abundante correspondência com personalidades literárias e políticas. Morre de pneumonia, depois de uma viagem a Lisboa, em 13 de Setembro de 1877.

Poeta, jornalista, político, polemista e historiador, é todavia como romancista que Herculano será mais lembrado pelas gerações vindouras. As suas narrativas históricas assinalam o nascimento de um novo género na literatura portuguesa - o romance histórico -, no qual o autor pode pôr em prática as qualidades de investigador do passado, principalmente da Idade Média, e os seus propósitos pedagógicos.

Em 24 de Março de 1838, publica n’ O Panorama a primeira narrativa histórica, O Castelo de Faria, e em Novembro Mestre Gil. Estas e outras composições, publicadas também n’ A Ilustração, foram reunidas em dois volumes em 1851, sob o título de Lendas e Narrativas. Os romances O Bobo (vindo a público n’ O Panorama em 1843 e editado em volume em 1878), Eurico, o Presbítero (1844) e O Monge de Cister (1848), escritos à semelhança das obras do escocês Walter Scott, considerado por Herculano como “modelo e desesperação de todos os romancistas”, alcançaram um sucesso imediato e desencadearam uma onda de imitações que transformou o romance histórico em moda literária nacional em meados de oitocentos.

Nestas obras, o romancista cria cenários lúgubres e de dimensões trágicas, nos quais se movimentam românticos heróis atormentados por paixões e mulheres-anjo predestinadas para o sofrimento, sobrepostos a um pano de fundo histórico minuciosamente reconstituído. Eurico, forçado a abdicar de um amor impossível por Hermengarda, professa e transforma-se num sacerdote solitário, num poeta inspirado pelo amor e pela religião, e num “cavaleiro negro” misterioso e heróico, tingido por certas cores terríveis do romance negro. Dá voz à dor em cenários de imensidão e à luz da lua, recitando longos poemas marcados por uma grandiloquência solene, compondo hinos religiosos que ecoam nos templos da Espanha visigótica, desafiando a superioridade dos adversários para salvar a donzela amada, e, finalmente, entregando-se à morte num combate desigual, única solução para o dilema que lhe dilacera a alma: ama Hermengarda, mas não pode trair os votos que o prendem a Deus. Já Vasco, frade maldito de O Monge de Cister, cujo sacerdócio não abranda o ódio que o consome, leva o seu desejo de vingança ao extremo de negar a confissão ao homem que seduzira a irmã inocente. N’ O Bobo, o protagonista, Egas, vê a amada sacrificar-se para o libertar, mas perde-a para sempre quando assassina o rival com quem ela deveria casar.

Estes amores desesperados e estas personagens vítimas de uma fatalidade que as ultrapassa, são colocados em épocas remotas que o autor empreende retratar. Assim, ganha especial relevo a reconstituição do ambiente, através da acumulação de descrições de edifícios, monumentos, ou indumentárias, referências a costumes e práticas, a formas de convivência social, e até à linguagem, numa tentativa de criar a ilusão de total fidelidade a uma realidade pretérita. No entanto, e apesar desta rigorosa encenação, nem sempre Herculano consegue esconder as suas convicções. Por exemplo, a defesa do município, apresentada em O Monge de Cister, tem por finalidade convencer os leitores do século XIX das virtudes desse sistema administrativo, e não pode ser vista apenas como uma referência ao sistema em uso no fim do século XIV. Neste, como noutros pontos da sua obra, os caminhos do historiador e do romancista cruzam-se…

Com O Pároco de Aldeia, publicado n’ O Panorama em 1844 e em volume em 1851, Herculano cria o romance campesino, que servirá de modelo a Júlio Dinis, e apresenta como protagonista a figura do padre bondoso, protector dos fracos e amado pelas crianças. Nesta obra, apresenta-se um retrato da vida rural marcado pela serenidade, e cujo ritmo é estabelecido pelo toque do sino e pelos rituais da igreja. Faz-se, assim, a apologia da superioridade do Catolicismo face ao Protestantismo, graças aos rituais e símbolos visíveis que guiam a crença popular e contribuem para a manutenção da moralidade pública.

Herculano herói do Liberalismo, guardião da moral e promotor da ideologia romântica nacional, é indubitavelmente, ao lado de Almeida Garrett, a figura fundadora do Romantismo português e a personalidade que de forma mais completa o representa.

Richard North Patterson

Richard North Patterson é um autor norte americano, licenciado em Direito e trabalhou como assistente do Procurador-Geral no Estado de Ohio, e tem colaborado com as principais empresas dos EUA. Esteve implicado na investigação do Watergate. Profundamente conhecedor da articulação entre poder e a justiça apresenta-nos romances brilhantes com temas atuais. Começou a escrever quando tinha 29 anos. Ganhou o prémio Edgar Allan Poe na categoria “Melhor romance de mistério (americano)”, em 1980.

Patterson foi presidente da Administração do Conselho Nacional de Common Cause . É membro dos conselhos de administração do Fundo para a Prevenção da Violência Doméstica, da Associação de Defesa do Cidadão e da Universidade de Wesleyan, no Ohio. Os seus livros são devorados por políticos, advogados, consultores e financeiros em todo o mundo.

“…o ilustre sábio inglês Humphry Davy.”

Químico inglês, nasceu em Peusanze em 17 de Dezembro de 1778 e morreu em Genebra a 29 de Maio de 1829. O seu primeiro descobrimento foi a existência de silício no tronco do óxido nitroso das canas e de algumas outras plantas. Os efeitos tóxicos do óxido nitroso na respiração foram também descobertos por ele em 1799. Deve-se-lhe o sensacional descobrimento do sódio e do potássio, e os seus mais valiosos trabalhos científicos foram comunicados à Royal Society, de que foi secretário. Professor de química na Royal Institution, de Londres, em 1806 foi-lhe concedido pelo Instituto de França o prémio de 3.000 francos pelas suas investigações sobre os fenómenos eletroquímicos. Por essa altura, Berzelius e Pontin descobriram o bário e o cálcio, cuja a existência Davy já havia anunciado. Em 1808 anunciou à Royal Society o descobrimento do magnésio e do estrôncio, declarando que o alumínio, o silício e o zircónio não se podiam decompor. O seu maior invento foi a lâmpada de segurança de Davy. Em 1820 foi nomeado Presidente da Royal Society.

Ian McEwan

 

Ian McEwan (Aldershot, 21 de Junho de 1948), é um escritor britânico, chamado por vezes de “Ian Macabro”, devido à natureza das suas primeiras obras, e que de romance a romance se tem convertido em um dos mais conhecidos da sua geração.

Passou parte da sua infância no Extremo Oriente, na Alemanha e no Norte de África, já que o seu pai era um oficial do Exército Britânico que foi colocado sucessivamente nesses locais. Estudou na Universidade de Sussex e na Universidade de East Anglia, onde teve Malcom Bradbury como professor. A primeira das suas obras publicadas foi a colecção de relatos Primeiro amor, últimos ritos (1975). Em 1998, e causando grande controvérsia, foi-lhe concedido o Prémio Man Booker pela novela Amesterdão. Em 1997 publicou O fardo do amor, considerada por muitos como uma obra-prima sobre uma pessoa que sofre do síndroma de Clerambault.

fonte: Wikipédia

O pai da bomba atómica soviética

Andrei Dmitrievich Sakharov nasceu em Moscovo, na então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no dia 21 de Maio de 1921. Formou-se na Faculdade de Física da Universidade de Moscovo, em 1942, tendo trabalhado como cientista numa fábrica de armamento em Volga até 1945. Três anos mais tarde, Sakharov obteve o grau de Doutor, no Instituto de Lebedey, instituição pertencente à Academia de Ciências da União Soviética. Na sua tese, o físico desenvolveu o tema da energia nuclear, o que lhe garantiu um lugar num grupo de pesquisa sobre o desenvolvimento do armamento nuclear. Em parceria com nomes como Igor Tamm e Igor Kurchatov, Sakharov desenvolveu o projecto da Bomba de Hidrogénio em território soviético, tendo os primeiros ensaios ocorrido em 1953. Este feito garantiu-lhe o reingresso na Academia de Ciências.

Contudo, alguns anos mais tarde, Sakharov viria a tomar consciência das consequências catastróficas do desenvolvimento das armas nucleares, o que o levou a solicitar a limitação e o desarmamento nuclear e a protestar contra os testes nucleares realizados pelo regime soviético.

O seu artigo “Reflections on Progress, Peaceful Coexistence and Intellectual Freedom” publicado de forma clandestina nas repúblicas vizinhas, motivou a sua expulsão do grupo de investigação a que pertencia, assim como o condenou a viver sob a opressão do regime, perdendo todas as liberdades e privilégios inerentes à sua classe. Ao denunciar os gulags, os internamentos arbitrários e outros actos que violavam claramente a Constituição Soviética e, sobretudo, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, Sakharov adquiriu no seio da comunidade internacional um lugar de destaque na oposição ao regime soviético.

Em 1975, Andrei Sakharov foi nomeado Prémio Nobel da Paz, devido não apenas à sua luta pela defesa dos Direitos Humanos em território soviético, mas também pela tentativa de aproximar a União Soviética dos Estados ocidentais. No entanto, foi impedido de se deslocar a Oslo para receber o prémio.

Condenado ao exílio em 1980 por Brezhnev, devido ao seu apelo ao boicote dos Jogos Olímpicos de Moscovo, Sakharov e a sua mulher Yelena Bonner (também ela uma activista pelos Direitos Humanos) permeneceram em Gorky até 1986, ano em que foram autorizados a regressar a Moscovo. Apenas a ascensão ao poder de Mikhail Gorbachev e a consequente implementação da Perestroika e da Glasnost, restituíram a liberdade de movimentos a Sakharov, apesar da pressão da opinião pública internacional em apoio do físico e activista soviético. Em 1989, Sakharov candidatou-se às eleições para o Congresso e foi eleito deputado. Faleceu no dia 14 de Dezembro desse mesmo ano.

foto: na praça Yerevan, Arménia

O Talibã português

Paulo Santos, o talibã que tentou matar o rei do Afeganistão em Roma e dizia pertencer à al-Qaeda, é um dos dez portugueses residentes na Etiópia. Abdullah Yusuf, nome que Paulo Santos adoptou depois de se converter ao islamismo, foi «viver para a cidade muçulmana por excelência da Etiópia que é Harar».

«Casou com uma muçulmana, tem passaporte português, é bem- falante e não tem ar de terrorista», disse à Lusa o embaixador português no país, acrescentando que Paulo Santos trabalha nos negócios do sogro.

Segundo o embaixador, Luís Santos foi algumas vezes à embaixada de Portugal na capital etíope de Addis Abeba, uma delas para renovar o passaporte, e costuma deslocar-se a Portugal, onde é proprietário de dois prédios.

Paulo José Almeida Santos foi investigador do Instituto Superior Técnico, converteu-se ao islamismo em 1990 na Turquia, diz que pertenceu à al-Qaeda e a tentativa falhada de assassínio do antigo rei do Afeganistão em 1991 foi uma das missões que a rede terrorista lhe atribuiu.

A tentativa de homicídio valeu-lhe oito anos de prisão num estabelecimento prisional de alta segurança em Roma, de onde saiu em Dezembro de 1999, tendo ido viver para a Etiópia, onde actualmente trabalha nas empresas do sogro ligadas aos transporte e construção civil.

Numa entrevista dada ao semanário Expresso em Abril de 2002, garantiu que não participou nos atentados de 11 de Setembro e considerou um erro a utilização de aviões e o ataque às Torres Gémeas, defendo que o atentado deveria ter sido contra as instalações da CIA.

fonte: IOL Diário